Daphne Koller está incitando grandes universidades a disponibilizarem cursos online de graça - não apenas como um serviço, mas como uma forma de pesquisar como as pessoas aprendem. Para a pesquisadora, "nós devemos gastar menos tempo nas universidades "preenchendo" as mentes dos nossos alunos com conteúdos através de aulas expositivas, e mais tempo incentivando suas criatividades… simplesmente conversando com eles".
13 de agosto de 2012
O que aprendemos com a educação online?
Daphne Koller está incitando grandes universidades a disponibilizarem cursos online de graça - não apenas como um serviço, mas como uma forma de pesquisar como as pessoas aprendem. Para a pesquisadora, "nós devemos gastar menos tempo nas universidades "preenchendo" as mentes dos nossos alunos com conteúdos através de aulas expositivas, e mais tempo incentivando suas criatividades… simplesmente conversando com eles".
12 de agosto de 2012
Apanhado de artigos sobre Educação Superior Jurídica IV
O ensino do direito na França - Michel Miaille e Fernando de Castro Fontainha
Resumo: O
presente artigo tem por objetivo analisar o ensino jurídico na
França. Nosso olhar é guiado por uma dupla perspectiva: a distinção
entre faculdades críticas e mundanas e a noção de crise, trazida
da ciência política. Após brevíssima introdução histórica,
demonstraremos como, nas duas metades do século XX, o ensino
jurídico se desenvolveu e produziu o que chamamos de modelo clássico
de ensino do direito. nosso foco, a partir dessa dupla perspectiva,
aponta para uma dinâmica em que grandes transformações sociais
causam significativo impacto na universidade francesa, e, em
contrapartida, para como o corpo de juristas, a fim de se manter na
posição dominante, consegue transmitir, através das crises, os
elementos que garantem essa dominação, calcados nas especificidades
da ciência jurídica. O conceito-chave para compreender esta
dinâmica e que ao fim produzirá o modelo clássico é o de herança,
também trazido da ciência política. Em conclusão, tentaremos
confrontar essa dinâmica com as questões que o ensino jurídico
francês enfrenta hoje - mormente relacionadas à perda de
centralidade da disciplina -, lançando o questionamento de como essa
nova crise será enfrentada pelas faculdades de direito.
Estágio de docência, prática jurídica e distribuição da justiça -
Denise Pires Fincato
Resumo: O
ensino jurídico em seu nascedouro: cursos de pós-graduação em
direito, berçários docentes. Parte-se do pressuposto de que nas
disciplinas de prática jurídica (principalmente as de campo:
estágios curriculares obrigatórios) o docente deve ter maior
identidade com a realidade social, já que seu objeto de ensino é o
substrato social, complexo, eivado de problemas e carências. nesse
sentido, verificam-se fragilidades nos estágios de docência,
normalmente ocupados por disciplinas pertencentes aos demais eixos
formativos. Utilizam-se na pesquisa os métodos indutivo, tipológico
e de interpretação sociológica e técnicas de pesquisa
bibliográfico-documentais. das reflexões, a certeza de que os
programas podem formar dois tipos de docentes: acomodados ou
transformadores, tudo dependendo da estratégia pedagógica
(metodologia de ensino) que empregarem. A compreensão e posterior
distribuição da justiça têm seu lugar de ensaio na realidade
sócio-jurídica, fato pelo qual necessária é a atenção dos
programas de pós-graduação ao estagio de docência em disciplinas
de prática jurídica.
O Bacharel em Direito e o exercício da docência universitária -
Pedro João Alves da Silva Filho e Magda Ivonete Montagnini
Resumo:
Este artigo objetiva apresentar quais são as características do
bacharel em Direito no exercício da docência universitária.
Partiu-se da concepção de aula como uma atividade de ensino que vai
à direção contrária do transmitir um acúmulo de conhecimentos
que será objeto de avaliação nas inúmeras oportunidades que são
apresentadas ao profissional do Direito, tais como: exame de ordem,
concursos, o ilibado exercício da advocacia. Justifica-se o presente
estudo uma vez que o professor de Cursos de Direito não tem no
magistério seu único mister. Por outro lado, há nos cursos de
Direito uma não rara insatisfação no meio discente com a qualidade
das aulas ministradas, insatisfação esta expressada pelos mesmos
nas suas conversas informais. Observa-se nos quadros docentes das
diversas faculdades de Direito a heterogeneidade de profissões
daqueles que compõem o referido quadro. Como extrair de tal
heterogeneidade, homogeneidade de qualidade de ensino, de forma a
relacionar o bacharel em Direito com o exercício da docência
universitária? Considerou-se como referencial teórico básico:
Vasconcelos, 1996; Maseto, 1998; Pimenta, 2002; Ventorim, 2005;
Martins, 2006, Saraiva, 2007, Silva, 2008, entre outros. Para
desenvolver o estudo em questão utilizou-se da pesquisa de natureza
qualitativa e do tipo bibliográfica. A vontade de ser um professor
de Direito qualificado motiva esta empreitada, e seus resultados
transcenderá a esfera pessoal na medida em que a publicação do
presente estudo contribuirá com o meio acadêmico com relação à
pratica docente do professor de Cursos de Direito. Contribuirá
também com a sociedade que depende dos serviços prestados pelos
variados profissionais habilitados em Direito.
Mais artigos:
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11 de agosto de 2012
Malte Spitz: você está sendo vigiado
Que tipo de dado a sua operadora de telefonia móvel está coletando? Malte Spitz foi até o Tribunal Constitucional Federal alemão (bundesverfassungsgericht) para conseguir acesso a suas próprias informações. O resultado é surpreendente: mais de 35 mil linhas de códigos. São detalhes, minuto a minuto, sobre meio ano de sua vida. Quer saber mais? Clique aqui.
8 de agosto de 2012
Aprovação de proposta que exige diploma a jornalistas gera polêmica no Senado
A aprovação no Senado, em segundo turno, da proposta de emenda à Constituição Federal (PEC) que impõe a exigência de diploma para exercer a profissão de jornalista
veio com uma votação expressiva, com 60 votos a favor e quatro contra.
Mas isso não significou que o projeto não tenha gerado divergências
entre os senadores.
O senador Aloysio Nunes (PSDB-SP) foi um dos que se opôs à proposta
do senador Antonio Carlos Valadares (PSB-SE), na qual a PEC dos
Jornalistas acrescenta novo artigo à Constituição, estabelecendo que o
exercício da profissão de jornalista seja “privativo do portador de
diploma de curso superior de Comunicação Social, com habilitação em
jornalismo, expedido por curso reconhecido pelo Ministério da Educação”.
Para Nunes, a decisão do STF em julgar a obrigatoriedade
inconstitucional em 2009 mostra que a atividade do jornalismo é
estreitamente vinculada à liberdade de expressão e deve ser limitada
apenas em casos excepcionais. Ainda segundo o senador, o interesse na
exigência do diploma vem dos donos de faculdades que oferecem o curso de
jornalismo.
– Em nome da liberdade de expressão e da atividade jornalística, que
comporta várias formações profissionais, sou contra essa medida.
O senador tucano também criticou o corporativismo, que estaria por trás da defesa do diploma.
Entretanto, vários colegas de Senado discordaram de Aloysio Nunes. Ao
defenderem a proposta, as senadoras Ana Amélia (PP-RS) e Lúcia Vânia
(PSDB-GO) se disseram honradas por serem formadas em jornalismo. Para a
senadora Vanessa Grazziotin (PCdoB-AM), a aprovação da PEC significa
garantir maior qualidade para o jornalismo brasileiro.
O senador Paulo Davim (PV-RN) destacou o papel da imprensa na
consolidação da democracia, enquanto Magno Malta (PR-ES) disse que o
diploma significa a premiação do esforço do estudo. Wellington Dias
(PT-PI) lembrou que a proposta não veta a possibilidade de outros
profissionais se manifestarem pela imprensa e disse que valorizar a
liberdade de expressão começa por valorizar a profissão.
O autor da proposta, Antonio Carlos Valadares, também apresentou o
seu ponto de vista no plenário afirmou que uma profissão não pode ficar
às margens da lei. Ele acrescentou que a falta do diploma só é boa para
os grandes conglomerados de comunicação, que poderiam pagar salários
menores para profissionais sem formação.
– Dificilmente um jornalista me pede a aprovação dessa proposta, pois
sei das pressões que eles sofrem. A profissão de jornalista exige um
estudo científico que é produzido na universidade. Não é justo que um
jornalista seja substituído em sua empresa por alguém que não tenha sua
formação.
Leia também:
Pessoas sem Facebook são alvo de suspeitas
![]() |
| Uma vida não basta. É preciso duas: real e virtual. |
Fonte: Terra.com.br
Ter um perfil no Facebook se tornou algo tão comum que se
você não for um dos 955 milhões de usuários da maior rede social do
mundo, pode ser considerado "suspeito" por empregadores, psicólogos e,
claro, aqueles amigos que não se conformam com sua exclusão digital.
Para a nova geração, parece que estar no Facebook - e em tantas outras
redes sociais - se tornou normal, enquanto optar por não participar é
esquisito.
Os motivos para esse estranhamento são variados. Para os responsáveis
por contratar novos funcionários em uma empresa, a ausência de perfil
em algum site de relacionamento pode indicar que o candidato teve sua
conta deletada por desrespeitar as regras internas, ou que a pessoa tem
informações relevantes a esconder, informa uma reportagem do Daily Mail.
Esse é um fato levado em consideração por equipes de Recursos
Humanos, que investigam a presença online dos candidatos e podem até
rejeitá-los - dependendo do conteúdo encontrado em sites como o
Facebook, aponta uma pesquisa da empresa de monitoramento Reppler.
É também possível que a pessoa ganhe pontos para uma eventual
contratação - através do feedback positivo de amigos e antigos chefes,
por exemplo, revela a Forbes.
De uma maneira parecida, psicólogos veem a existência de perfis na
web como indicativo de uma vida social ativa e saudável. Por outro lado,
interações predominantemente virtuais podem reforçar sentimentos de
ansiedade no mundo real, offline. Essa exclusão digital, para alguns
especialistas, poderia também significar a falta de amigos no mundo
real, de acordo com o Mashable.
A revista alemã Der Taggspiegel chegou ao extremo de fazer
analogia ao fato de que dois autores de massacres recentes - Anders
Behring Breivik, responsável pelas mortes de 77 pessoas ano passado na
Noruega, e James Holmes, que matou 12 pessoas em um cinema nos Estados
Unidos - tinham este aspecto em comum: a ausência de participação em
redes sociais. Eles mantinham perfis em sites obscuros, porém nenhuma
página levava seu nome nas maiores redes sociais.
Tantas alegações deixam ao menos uma pergunta: a suspeita que recai
sobre "fantasmas virtuais" é suficiente para negar uma vaga de emprego,
ou acreditar que esse é um passo para a formação de um psicopata?
Dificilmente. Porém, conforme as redes sociais se tornam mais difundidas
- e se mostram duradouras, em vez de passageiras - é inevitável que
alguém sem perfil no Facebook, por exemplo, tenha de arcar,
frequentemente, com a pergunta, de empregadores, psicólogos, amigos:
"por quê?".
-.-.-.-.-.-.-.-
Não é necessário, de modo algum, tecer comentários acerca do sucesso das redes sociais e a velocidade com que se tornou realidade na vida de milhares de pessoas. Todos assistimos a seu levante, alguns passivos, outros tomando parte ativa nessa "revolução" midiática e comportamental. Se, por um lado, as redes sociais abriram com maior ênfase o canal de comunicação entre sociedade, governo, grande mídia, corporações e derrocaram o monólogo antes existente, é certo, também, que se tornou necessidade ao invés de mera ferramenta. No início, a desculpa para criar uma conta era simples: manter o contato com amigos e familiares distantes. Contudo, em pouco tempo, já podemos ler notícias como a veiculada pelo Terra, e repassada pelo Direito e Docência, na qual a liberdade de não participar das redes é relacionada a comportamentos erráticos e antissociais. Lembro de ter assistido, há poucos dias, o comentário de um âncora de telejornal brasileiro que disse, ao se referir ao massacre de inocentes em um cinema nos EUA, que o suspeito não tinha perfil em nenhuma rede social, comentando, como se prova fosse, acerca da insanidade do atirador. A realidade é significativa e assustadora: não expor nossa intimidade, mesmo que de forma recatada, faz com que nos tornemos suspeitos.
Leia um trecho de Vida para consumo: a transformação das pessoas em mercadorias, de Zygmunt Bauman, no qual o autor comentou, alguns anos atrás, sobre o sucesso das redes sociais:
"Na Grâ-Bretanha, lugar em que o uso popular de recursos eletrônicos de ponta está ciberanos atrás do Extremo Oriente, os usuários ainda podem acreditar que as "redes sociais" expressam sua liberdade de escolha, e mesmo que constituam uma forma de rebeldia e auto-afirmação juvenil (suposição tornada ainda mais verossímil pelos sinais de pânico que o ardor sem precedentes, induzido pela web e a ela dirigido, desencadeia a cada dia entre seus pais e professores, e pelas reações nervosas dos diretores que interditam o acesso ao Bebo (espécie de Facebook) e similares a partir dos computadores de suas escolas). Mas na Coréia do Sul, por exemplo, onde grande porção da vida social já é, como parte da rotina, mediada eletronicamente (ou melhor, onde a vida social já se transformou em vida eletrônica ou cibervida, e a maior parte dela se passa na companhia de um computador, um iPod ou um celular, e apenas secundariamente ao lado de seres de carne e osso), é óbvio para os jovens que eles não têm sequer uma pitada de escolha. Onde eles vivem, levar a vida social eletronicamente mediada não é mais uma opção, mas uma necessidade do tipo "pegar ou largar". A "morte social" está à espreita dos poucos que ainda não se integraram ao Cyworld, líder sul-coreano no cibermercado da "cultura mostre e diga".
Seria um erro grave, contudo, supor que o impuldo que leva à exibição pública do "eu interior" e a disposição de satisfazer esse impulso sejam manifestações de um vício/anseio singular, puramente geracional e relacionado aos adolescentes, por natureza ávidos, como tendem a ser, para colocar um pé na "rede" (termo que está rapidamente substituindo "sociedade", tanto no discurso das ciências sociais quanto na linguagem popular) e lá permanecer, embora sem muita certeza quanto à melhor forma de atingir tal objetivo. O novo pendor pela confissão pública não pode ser explicado por fatores "específicos da idade" - não só por eles. Eugène Enriquez resumiu a mensagem que se pode extrair das crescentes evidências coletadas em todos os setores do mundo líquido-moderno dos consumidores:
Desde que não se esqueça que o que antes era invisível - a parcela
de intimidade, a vida interior de cada pessoa - agora deve ser
exposto no palco público (principalmente nas telas de TV, mas também
na ribalta literária), vai-se compreender que aqueles que zelam por
sua invisibilidade tendem a ser rejeitados, colocados de lado ou
considerados suspeitos de um crime. A nudez física, social e
psíquica está na ordem do dia.
Os adolescentes equipados com confessionários eletrônicos portáteis são apenas aprendizes treinando e treinados na arte de viver numa sociedade confessional - uma sociedade notória por eliminar a fronteira que antes separava o privado e o público, por transformar o ato de expor publicamente o privado numa virtude e num dever públicos, e por afastar da comunicação pública qualquer coisa que resista a ser reduzida a confidências privadas, assim como aqueles que se recusam a confidenciá-las. Como Jim Gamble, diretor de uma agência de monitoramento de rede, adimitiu ao Guardian, "ela representa tudo aquilo que se vê no playground - a única diferença é que nesse playground não há professores, policiais ou moderadores que ficam de olho no que se passa".
Leia também:
7 de agosto de 2012
Os Desafios do Ensino de Direito
Fonte: Folhadirigida.com.br
Por Michelle Bento
Atualmente,
os cursos de Direito concentram o segundo maior número de matrículas
no ensino superior. São cerca de 650 mil alunos em todo o Brasil e a
estimativa é de que sejam formados, por ano, 100 mil bacharéis em
Direito. No entanto, esta expansão rápida é vista, por educadores,
como uma das causas da má qualidade do ensino na maior parte dos
cursos. O modelo vigente privilegia uma preparação técnica,
voltada para concursos públicos e a aprovação no Exame de Ordem da
OAB.
Esta
característica tem gerado repercussão entre especialistas da área,
que acreditam que a falta de uma formação reflexiva impeça que os
novos profissionais travem contato com desafios da sociedade.Entre os
principais problemas do ensino jurídico está a falta de
profissionalização da carreira docente. No geral, os professores
dos cursos de Direito acumulam outras funções além da docência, o
que causa uma limitação quanto à dedicação exclusiva, pouco
comum nos cursos, em especial, nos do setor privado. Para o
presidente da Associação Brasileira de Ensino de Direito (ABEDi),
Evandro Carvalho, a ausência de disponibilidade dos professores da
área para acompanhar o desenvolvimento dos alunos tem recaído,
inclusive, na pesquisa, cada vez mais desvalorizada devido esse
aspecto.
"Ser professor do ensino superior exige muito mais que simplesmente cumprir o horário em sala de aula. O professor precisa viver a dinâmica da universidade e responder às suas demandas. A docência carece também de profissionalização. O trabalho de pesquisa, que reflete diretamente no ensino e na prática jurídica, está cada vez mais desvalorizado. As nossas pesquisas em Direito estão desconectadas da realidade do mundo jurídico, do Brasil e do próprio ensino jurídico. Isso tem a ver também com a questão da identidade do professor, que muitas vezes se vê antes como um profissional de outras áreas do que propriamente um professor universitário", criticou.
Segundo Evandro, esta prática do multiprofissionalismo jurídico tem prejudicado, inclusive, os recém bacharéis, que encontram dificuldades no mercado de trabalho, principalmente no meio acadêmico. "O Brasil aceita que um magistrado, procurador ou promotor que recebe pelo Estado para trabalhar neste ofício, trabalhe também 40 horas em uma universidade federal. Ou seja, o Estado remunera duas vezes esse profissional. Este modelo impede postos de trabalho de bacharéis, mestrandos e doutorandos que podem querer seguir a carreira acadêmica. Se 1% dos 100 mil formados por ano quiser entrar nessa realidade do ensino e da pesquisa conectados com a prática jurídica, não vão encontrar trabalho", comentou.
Para o diretor da ABEDi, Alexandre Veroneni, esta falta de comprometimento dos professores com as instituições de ensino e a desassistência aos alunos reflete também nos baixos índices de aprovação no Exame de Ordem (OAB), cuja aprovação é um desafio para os estudantes de Direito. Além do problema da docência, ele apontou a falta de pluralidade dos instrumentos de avaliação dos cursos e do conhecimento dos estudantes. "Precisamos relacionar uma maior busca pela titulação por parte dos professores com o crescimento da qualidade e dar fim ao papel do professor horista, que se restringe à sala de aula. Outro fator são os rankings. Hoje só temos o Exame de Ordem e o Enade, que não dão conta de detectar as diversidades que compõem o curso de Direito. Isto faz com que as universidades sigam todas um mesmo padrão para aprovar unicamente nestes exames, ignorando que se a universidade não obteve um bom resultado nestes indicadores, não quer dizer que ela não seja boa ou que não tenha qualidade. A profissão jurídica não é só a OAB, há outras áreas", afirmou.
Na última edição, a Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) aprovou apenas 25% do total de participantes. E os índices mostram que a situação é ainda pior no ensino particular. Em um levantamento feito recentemente sobre as universidades que mais se destacaram no exame, em âmbito nacional, todas as 20 melhores eram públicas. No Rio, apesar do resultado de aprovação seguir a mesma linha, a Fundação Getúlio Vargas (FGV) foi a única particular a conquistar um lugar no ranking das 20 melhores. Ela não só ficou entra as primeiras instituições, com 74,36% de aprovados, como liderou a lista, ficando à frente de instituições tradicionais como a Uerj, UniRio, UFRJ e UFF.
Dificuldades para suprir carências da educação básica
Outro aspecto que tem colaborado para a precariedade do ensino de Direito no Brasil é a falta de bagagem com a qual os estudantes deixam o ensino básico. Como as condições oferecidas nas escolas de ensino fundamental e médio são restritas, principalmente no ensino público no qual há falta de professores e de infraestrutura, os jovens entram na universidade com uma forte carência nas ciências de base. As universidades se veem, então, desafiadas a suprir a ausência destes conteúdos, o que muitas vezes não é possível, já que as mesmas possuem um currículo a ser cumprido em função de exames como o Enade e o Exame de Ordem.
De acordo com Frederico de Almeida, professor da FGV, as universidades ainda têm feito muito pouco para nivelar os alunos. "A formação básica que o aluno traz quando entra na universidade é muito importante. Mesmo que o curso de Direito não use a Matemática aplicada, por exemplo, o raciocínio lógico que ela fornece é essencial. Uma coisa que pode ser feita pelas instituições e que devem fazer, inclusive, porque é avaliada pelo MEC, é de investir em estratégias de nivelamento, ou seja, o quanto a instituição faz para suprir a carência que o aluno trouxe", enfatizou.
Carreira jurídica em segundo plano
Para Solange de Moura, diretora nacional do Centro de Ciências Jurídicas da Estácio de Sá, é necessário ainda trabalhar a questão da vocação jurídica entre os alunos. Segundo ela, grande parte dos estudantes que procuram pelos cursos de Direito o fazem com a intenção de prestar provas em concursos públicos. Ao longo do curso, alguns acabam tendo contato com outras opções, mas a grande massa desconhece as alternativas de trabalho, o que os fazem assumir cargos muitas vezes incompatíveis com seu perfil profissional.
"Temos
ainda um grande desafio em relação ao trabalho. A maioria não tem
o objetivo de se tornar um profissional do Direito. O interesse maior
é somente pelos cargos públicos e em qualquer função. Não há um
estudo prévio das carreiras possíveis e nem mesmo os concursos
analisam se aquele aprovado é apto para executar determinada função.
Este grupo quer apenas integrar a elite dos quadros públicos. Mas acontece que não há cargo público para todos. Por isso, é tão importante despertar nestes jovens o gosto pela vocação, para que os bacharéis possam assumir seus postos no mercado de trabalho por amor e não em função de um cargo público", destacou.
Ela
também salientou que a melhor saída para a decadência da qualidade
do ensino jurídico seria investir mais no setor de pesquisa,
mostrando aos jovens que este também pode ser um mercado atrativo.
"Faltam docentes titulados e capacitados. Exemplo disso é que
existem regiões no país que não têm se quer um curso de doutorado
ou mestrado. Precisamos acelerar a formação de docentes, para que
possam se dedicar exclusivamente à docência, para que, desta
maneira, possamos formar melhor".
Estudantes apontam caminhos para melhorar a formação
A identificação dos estudantes com a universidade é um dos pontos cruciais para o processo de aprendizagem. No ensino de Direito ele é ainda mais significativo, pois o curso, assim como outros que têm raízes na área de Humanas, é fundamentado no debate.
Estudantes apontam caminhos para melhorar a formação
A identificação dos estudantes com a universidade é um dos pontos cruciais para o processo de aprendizagem. No ensino de Direito ele é ainda mais significativo, pois o curso, assim como outros que têm raízes na área de Humanas, é fundamentado no debate.
Para a aluna de Direito do 9º período Marília Monteiro, a interdisciplinaridade foi o que em sua análise mais importou até o momento em que está na sua formação. Desde o primeiro semestre, a jovem faz matérias de outras grades, o que fez com que ela desenvolvesse uma visão ampla sobre variados temas. "É importante ter uma visão global da profissão, pois isso nos dá outras perspectivas sobre temas que vão além do Direito. Muitas vezes os cursos de Direito erram ao não incentivar a comunicação com outras Ciências Humanas", explicou.
Já a estudante Giovanna Carloni, do 6º período, considera que o diálogo nas aulas é o fator decisivo para uma boa formação. Ela acredita que isso facilita o desenvolvimento da argumentação. "Não adianta formar um advogado que não sabe refletir sobre os diferentes pontos da profissão, independente da área em que ele vai atuar. É desta maneira que perdemos o medo de nos direcionar a outras pessoas, inclusive autoridades", ressaltou.
Há também quem ache que a prática é uma das fases mais importantes do curso. Walter Britto, aluno do 4º período, concilia as aulas com o estágio no Centro de Tecnologia e Sociedade da instituição em que estuda e já consegue enxergar os frutos dessa experiência. "Isso me faz ter contato com tudo o que acontece no mundo e que ao mesmo tempo tem relação com o Direito. São questões que possuem ligação direta com a profissão que um dia vou exercer. Por meio desse espaço pude ver como a tecnologia aplicada ao ensino facilita o aprendizado e ajuda a criar uma comunidade acadêmica interativa", destacou.
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