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4 de novembro de 2012

Brasil, o país da corrupção


bandeira do brasil

Fonte: Terra.com.br

Quase um em cada quatro brasileiros (23%) afirma que dar dinheiro a um guarda para evitar uma multa não chega a ser um ato corrupto, de acordo com uma pesquisa realizada pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) e o Instituto Vox Populi.
Os números refletem o quanto atitudes ilícitas, como essa, de tão enraizados em parte da sociedade brasileira, acabam sendo encarados como parte do cotidiano. "Muitas pessoas não enxergam o desvio privado como corrupção, só levam em conta a corrupção no ambiente público", diz o promotor de Justiça Jairo Cruz Moreira
Ele é coordenador nacional da campanha do Ministério Público "O que você tem a ver com a corrupção", que pretende mostrar como atitudes que muitos consideram normal são, na verdade, um desvirtuamento ético. Como lida diariamente com o assunto, Moreira ajudou a BBC Brasil a elaborar uma lista de dez atitudes que os brasileiros costumam tomar e que, por vezes, nem percebem que se trata de corrupção. A lista inclui não dar nota fiscal, não declarar Imposto de Renda (IR), tentar subornar o guarda para evitar multas, falsificar carteirinha de estudante, dar/aceitar troco errado, roubar TV a cabo, furar fila, comprar produtos falsificados, no trabalho, bater ponto pelo colega e falsificar assinaturas.
"Aceitar essas pequenas corrupções legitima aceitar grandes corrupções", afirma o promotor. "Seguindo esse raciocínio, seria algo como um menino que hoje não vê problema em colar na prova ser mais propenso a, mais pra frente, subornar um guarda sem achar que isso é corrupção." Segundo a pesquisa da UFMG, 35% dos entrevistados dizem que algumas coisas podem ser um pouco erradas, mas não corruptas, como sonegar impostos quando a taxa é cara demais.

Agora eu pergunto: de onde vem o exemplo? Dos políticos ou da população? Sei, apenas, que combater a corrupção apenas com leis não significa acabar com a corrupção. Combater a corrupção, com seriedade, significa promover a educação. Sem essa medida primordial, o Brasil continuará sendo o país da corrupção.

6 de setembro de 2012

Prof. Lênio Streck e o ensino jurídico plastificado


Trecho da Aula Magna de Lênio Streck na TV Justiça sobre o tema: "Hermenêutica e Decisão Jurídica". Lênio Luiz Streck é doutor em Direito, com pós-doutorado em Direito do Estado. Procurador da Justiça no Rio Grande do Sul e professor na Unisinos.


 TRECHO DE TRABALHO AINDA NÃO PUBLICADO: A concepção normativista-positivista se tornou o único paradigma científico do ensino do direito na atualidade. Está centrado, basicamente, em uma metodologia descritiva das normas positivadas. O renomado professor Lênio Luiz Streck é preciso em suas palavras ao dizer que “ainda não se construiu um modelo de ensino que 'supere' a leitura de leis e códigos comentados (na maioria das vezes, reproduzindo conceitos lexicográficos e sem nenhuma sofisticação teórica); são, por assim dizer, um repositório de 'conceitos sem coisas' (2012, p. 72)”. 
Não é diferente a posição de Morais (2012, p. 81), que considera sermos reféns de um ensino “prêt-à-porter”, sustentados em “resumos que não ultrapassam uma ou algumas páginas, plastificados, quem sabe para serem digeridos no banho ou... na piscina”.
Atualmente, se nos questionarmos qual a função esperada do trabalho dos professores de Direito, a resposta mais provável de ser encontrada, e aqui resumida por Rudnicki (2012, p. 124), será, também, a mais simples: “ensinar o Direito posto”.
Leandro Dani
            

2 de setembro de 2012

Como serão os crimes no futuro?


O mundo está se tornando cada vez mais aberto e, como consequência, tanto mais supreendente como perigoso. Marc Goodman pinta um retrato de um futuro sério, em que o rápido desenvolvimento da tecnologia pode permitir que o crime dê uma guinada para pior.
Marc Goodman trabalha para prevenir futuros crimes e atos de terrorismo - até mesmo as ameaças que sequer foram inventadas. Ele pensa profundamente sobre as implicações da robótica, inteligência artificial, realidade virtual e da biologia sintética na segurança pública e privada. Como responder a essas ameaças? A solução de combate ao crime só poderia estar em crowdsourcing. Goodman lidera o Future Crimes Institute.


Veja também:

1 de setembro de 2012

Os juízes pelo mundo

27 de agosto de 2012

Lista das universidades mais bonitas do mundo

O melhor aprendizado exige as melhores condições. Bons e qualificados professores, bibliotecas atualizadas, laboratórios equipados, funcionários dignificados em seus labores e, dentre outras muitas condições importantes e necessárias, estrutura física planejada e, por que não, bonita. O portal Terra.com.br publicou uma lista com as 15 universidades mais bonitas do mundo. Vale a pena conhecer esses lugares e tomar o exemplo para o nosso país. Adianto que adicionei mais três universidades. Uma estadunidense e duas brasileiras.

Segue, abaixo, a lista com foto dos campus universitários:

Fonte: Terra.com.br



1 - Universidade de Aarhus, Dinamarca - Criada em 1931 por três arquitetos dinamarqueses, este campus de 30 acres localizado no litoral de Aarhus, se destaca por sua uniformidade. Os edifícios têm tamanhos diferentes, uns baixos e quadrados outros têm telhados inclinados e amplas janelas, mas todos possuem elementos em comum como o tijolinho amarelo e o mesmo tipo de telha. Seu terreno inclui um anfiteatro de grama escalonada e um parque com gramados verdes. Ela ainda possui jardins botânicos em uma grande estufa de vidro para abrigar plantas tropicais e outros ao ar livre, ligados entre si por passarelas.


 
2 - Universidade de Coimbra, Portugal - Um portão de ferro se abre para pátios de paralelepípedos nesta universidade, onde a arquitetura é um reflexo da longa história e arte diversificada de Portugal. A Capela de São Miguel, de 1517, por exemplo, incorpora milhares de tradicionais azulejos pintados à mão. Já a barroca Biblioteca Joanina, construída em 1717, tem estantes feitas de madeira brasileira extraída durante a colonização portuguesa. O arquiteto alemão-português João Frederico Ludovice fez a torre da universidade de estilo barroco em 1728, que possui uma escada em espiral de 115 metros que leva a uma vista espetacular da cidade.


 
 3 - Universidade McGill, Montreal, Canadá - Este campus tem 79 hectares com uma série de pavilhões que foram construídos ao longo de centenas de anos. A universidade traz em sua arquitetura raízes escocesas, já que foi fundada em 1821 pelo comerciante escocês James McGill. Muitos de seu prédios levam paredes de pedra e telhados de cobre. A Faculdade de Estudos Religiosos tem estilo gótico com vitrais e painéis de madeira impressionantes. A escola possui praças e jardins para o convício dos alunos.



4 - Universidade Tecnológica de Nanyang, de Singapura - Nesta escola de engenharia de topo, caminhos de palmeiras e árvores frutíferas ligam edifícios contemporâneos, como a Escola de Arte, Design e Mídia - um edifício de vidro de quatro andares com um pátio aberto, piscina, e com telhado coberto de grama que funciona como um espaço exterior comum. As salas de aula também são de ponta. Em vez de lousas, muitas salas possuem telas interativas. Aqui os alunos tem acesso à inovações de design e tecnologia.
 

15 de agosto de 2012

Ensino médio no País está em crise

 
O desempenho das escolas de ensino médio no Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb), divulgado nesta terça-feira pelo Ministério da Educação (MEC), foi classificado pelo movimento Todos pela Educação como "uma verdadeira crise do modelo de ensino atual". Apesar de a média geral ter sido atingida, ficando em 3,7 pontos (em uma escala que vai até 10), o indicador caiu em relação a 2009 em 9 Estados: Acre, Pará, Maranhão, Paraíba, Alagoas, Bahia, Espírito Santo, Paraná e Rio Grande do Sul.
"Temos uma crise por duas razões: primeiro porque esta etapa acaba recebendo o acúmulo das deficiências das etapas anteriores, ou seja, o aluno chega com muitas lacunas de aprendizagem. Em segundo lugar, ocorre um problema de estrutura. Temos um ensino médio com 14 disciplinas obrigatórias, não se consegue aprofundar em tema nenhum, a fragmentação é enorme", afirma a diretora-executiva do Todos pela Educação, Priscila Cruz.
Segundo ela, soma-se a esses fatores o desinteresse de boa parte dos estudantes nessa etapa e a falta de professores para todas as disciplinas, principalmente nas áreas de exatas. "Sabemos das dificuldades, mas termos um retrocesso em 9 Estados é simplesmente inadmissível". A diretora do Todos pela Educação defende ainda que a média nacional - de 3,7 pontos - também é preocupante já que representa um avanço de apenas 0,1 ponto em relação ao último levantamento, de 2009. "O retrocesso de uma edição para outra é um absurdo, mas também não deveríamos ter essa estagnação. Estar estagnado é regredir porque o nosso ensino é muito ruim, então, o mínimo esperado seria avançar".
Ela ainda cita o exemplo de Alagoas, único Estado do País em que o desempenho do Ideb de 2011 foi inferior ao registrado em 2005 para o ensino médio - de 3 naquela primeira avaliação, passou para 2,9 no ano passado. "Isso é um problema de gestão, porque recursos para investir todos os Estados têm. É muito fácil sentar e formular planos, mas na implementação das ações que a gestão aparece. E Alagoas não consegue implementar seus planos", critica.
O secretário de Educação e Esportes de Alagoas, Adriano Soares, não quis se pronunciar sobre os novos dados do Ideb. Sobre os problemas na pasta, Soares admitiu os números negativos e disse que a educação alagoana está sendo preparada "focando o futuro".

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Como discutir avanços para a Educação Superior se a educação de base continua parindo alunos deficientes?  


Leia também:
Por que não se investe em educação no Brasil?

11 de agosto de 2012

Malte Spitz: você está sendo vigiado


Que tipo de dado a sua operadora de telefonia móvel está coletando? Malte Spitz foi até o Tribunal Constitucional Federal alemão (bundesverfassungsgericht) para conseguir acesso a suas próprias informações. O resultado é surpreendente: mais de 35 mil linhas de códigos. São detalhes, minuto a minuto, sobre meio ano de sua vida. Quer saber mais? Clique aqui.

8 de agosto de 2012

Pessoas sem Facebook são alvo de suspeitas

Uma vida não basta. É preciso duas: real e virtual.

Fonte: Terra.com.br

Ter um perfil no Facebook se tornou algo tão comum que se você não for um dos 955 milhões de usuários da maior rede social do mundo, pode ser considerado "suspeito" por empregadores, psicólogos e, claro, aqueles amigos que não se conformam com sua exclusão digital. Para a nova geração, parece que estar no Facebook - e em tantas outras redes sociais - se tornou normal, enquanto optar por não participar é esquisito.
Os motivos para esse estranhamento são variados. Para os responsáveis por contratar novos funcionários em uma empresa, a ausência de perfil em algum site de relacionamento pode indicar que o candidato teve sua conta deletada por desrespeitar as regras internas, ou que a pessoa tem informações relevantes a esconder, informa uma reportagem do Daily Mail.
Esse é um fato levado em consideração por equipes de Recursos Humanos, que investigam a presença online dos candidatos e podem até rejeitá-los - dependendo do conteúdo encontrado em sites como o Facebook, aponta uma pesquisa da empresa de monitoramento Reppler. É também possível que a pessoa ganhe pontos para uma eventual contratação - através do feedback positivo de amigos e antigos chefes, por exemplo, revela a Forbes.
De uma maneira parecida, psicólogos veem a existência de perfis na web como indicativo de uma vida social ativa e saudável. Por outro lado, interações predominantemente virtuais podem reforçar sentimentos de ansiedade no mundo real, offline. Essa exclusão digital, para alguns especialistas, poderia também significar a falta de amigos no mundo real, de acordo com o Mashable.
A revista alemã Der Taggspiegel chegou ao extremo de fazer analogia ao fato de que dois autores de massacres recentes - Anders Behring Breivik, responsável pelas mortes de 77 pessoas ano passado na Noruega, e James Holmes, que matou 12 pessoas em um cinema nos Estados Unidos - tinham este aspecto em comum: a ausência de participação em redes sociais. Eles mantinham perfis em sites obscuros, porém nenhuma página levava seu nome nas maiores redes sociais.
Tantas alegações deixam ao menos uma pergunta: a suspeita que recai sobre "fantasmas virtuais" é suficiente para negar uma vaga de emprego, ou acreditar que esse é um passo para a formação de um psicopata? Dificilmente. Porém, conforme as redes sociais se tornam mais difundidas - e se mostram duradouras, em vez de passageiras - é inevitável que alguém sem perfil no Facebook, por exemplo, tenha de arcar, frequentemente, com a pergunta, de empregadores, psicólogos, amigos: "por quê?".

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Não é necessário, de modo algum, tecer comentários acerca do sucesso das redes sociais e a velocidade com que se tornou realidade na vida de milhares de pessoas. Todos assistimos a seu levante, alguns passivos, outros tomando parte ativa nessa "revolução" midiática e comportamental. Se, por um lado, as redes sociais abriram com maior ênfase o canal de comunicação entre sociedade, governo, grande mídia, corporações e derrocaram o monólogo antes existente, é certo, também, que se tornou necessidade ao invés de mera ferramenta. No início, a desculpa para criar uma conta era simples: manter o contato com amigos e familiares distantes. Contudo, em pouco tempo, já podemos ler notícias como a veiculada pelo Terra, e repassada pelo Direito e Docência, na qual a liberdade de não participar das redes é relacionada a comportamentos erráticos e antissociais. Lembro de ter assistido, há poucos dias, o comentário de um âncora de telejornal brasileiro que disse, ao se referir ao massacre de inocentes em um cinema nos EUA, que o suspeito não tinha perfil em nenhuma rede social, comentando, como se prova fosse, acerca da insanidade do atirador. A realidade é significativa e assustadora: não expor nossa intimidade, mesmo que de forma recatada, faz com que nos tornemos suspeitos.

Leia um trecho de Vida para consumo: a transformação das pessoas em mercadorias, de Zygmunt Bauman, no qual o autor comentou, alguns anos atrás, sobre o sucesso das redes sociais:

"Na Grâ-Bretanha, lugar em que o uso popular de recursos eletrônicos de ponta está ciberanos atrás do Extremo Oriente, os usuários ainda podem acreditar que as "redes sociais" expressam sua liberdade de escolha, e mesmo que constituam uma forma de rebeldia e auto-afirmação juvenil (suposição tornada ainda mais verossímil pelos sinais de pânico que o ardor sem precedentes, induzido pela web e a ela dirigido, desencadeia a cada dia entre seus pais e professores, e pelas reações nervosas dos diretores que interditam o acesso ao Bebo (espécie de Facebook) e similares a partir dos computadores de suas escolas). Mas na Coréia do Sul, por exemplo, onde grande porção da vida social já é, como parte da rotina, mediada eletronicamente (ou melhor, onde a vida social já se transformou em vida eletrônica ou cibervida, e a maior parte dela se passa na companhia de um computador, um iPod ou um celular, e apenas secundariamente ao lado de seres de carne e osso), é óbvio para os jovens que eles não têm sequer uma pitada de escolha. Onde eles vivem, levar a vida social eletronicamente mediada não é mais uma opção, mas uma necessidade do tipo "pegar ou largar". A "morte social" está à espreita dos poucos que ainda não se integraram ao Cyworld, líder sul-coreano no cibermercado da "cultura mostre e diga".
Seria um erro grave, contudo, supor que o impuldo que leva à exibição pública do "eu interior" e a disposição de satisfazer esse impulso sejam manifestações de um vício/anseio singular, puramente geracional e relacionado aos adolescentes, por natureza ávidos, como tendem a ser, para colocar um pé na "rede" (termo que está rapidamente substituindo "sociedade", tanto no discurso das ciências sociais quanto na linguagem popular) e lá permanecer, embora sem muita certeza quanto à melhor forma de atingir tal objetivo. O novo pendor pela confissão pública não pode ser explicado por fatores "específicos da idade" - não só por eles. Eugène Enriquez resumiu a mensagem que se pode extrair das crescentes evidências coletadas em todos os setores do mundo líquido-moderno dos consumidores:

Desde que não se esqueça que o que antes era invisível - a parcela de intimidade, a vida interior de cada pessoa - agora deve ser exposto no palco público (principalmente nas telas de TV, mas também na ribalta literária), vai-se compreender que aqueles que zelam por sua invisibilidade tendem a ser rejeitados, colocados de lado ou considerados suspeitos de um crime. A nudez física, social e psíquica está na ordem do dia. 

Os adolescentes equipados com confessionários eletrônicos portáteis são apenas aprendizes treinando e treinados na arte de viver numa sociedade confessional - uma sociedade notória por eliminar a fronteira que antes separava o privado e o público, por transformar o ato de expor publicamente o privado numa virtude e num dever públicos, e por afastar da comunicação pública qualquer coisa que resista a ser reduzida a confidências privadas, assim como aqueles que se recusam a confidenciá-las. Como Jim Gamble, diretor de uma agência de monitoramento de rede, adimitiu ao Guardian, "ela representa tudo aquilo que se vê no playground - a única diferença é que nesse playground não há professores, policiais ou moderadores que ficam de olho no que se passa".


Leia também:
Is the Web Driving Us Mad?  
A responsabilização da mídia: Direito e deontologia

7 de agosto de 2012

Os Desafios do Ensino de Direito


Fonte: Folhadirigida.com.br
Por Michelle Bento

Atualmente, os cursos de Direito concentram o segundo maior número de matrículas no ensino superior. São cerca de 650 mil alunos em todo o Brasil e a estimativa é de que sejam formados, por ano, 100 mil bacharéis em Direito. No entanto, esta expansão rápida é vista, por educadores, como uma das causas da má qualidade do ensino na maior parte dos cursos. O modelo vigente privilegia uma preparação técnica, voltada para concursos públicos e a aprovação no Exame de Ordem da OAB.

Esta característica tem gerado repercussão entre especialistas da área, que acreditam que a falta de uma formação reflexiva impeça que os novos profissionais travem contato com desafios da sociedade.Entre os principais problemas do ensino jurídico está a falta de profissionalização da carreira docente. No geral, os professores dos cursos de Direito acumulam outras funções além da docência, o que causa uma limitação quanto à dedicação exclusiva, pouco comum nos cursos, em especial, nos do setor privado. Para o presidente da Associação Brasileira de Ensino de Direito (ABEDi), Evandro Carvalho, a ausência de disponibilidade dos professores da área para acompanhar o desenvolvimento dos alunos tem recaído, inclusive, na pesquisa, cada vez mais desvalorizada devido esse aspecto.

"Ser professor do ensino superior exige muito mais que simplesmente cumprir o horário em sala de aula. O professor precisa viver a dinâmica da universidade e responder às suas demandas. A docência carece também de profissionalização. O trabalho de pesquisa, que reflete diretamente no ensino e na prática jurídica, está cada vez mais desvalorizado. As nossas pesquisas em Direito estão desconectadas da realidade do mundo jurídico, do Brasil e do próprio ensino jurídico. Isso tem a ver também com a questão da identidade do professor, que muitas vezes se vê antes como um profissional de outras áreas do que propriamente um professor universitário", criticou.

Segundo Evandro, esta prática do multiprofissionalismo jurídico tem prejudicado, inclusive, os recém bacharéis, que encontram dificuldades no mercado de trabalho, principalmente no meio acadêmico. "O Brasil aceita que um magistrado, procurador ou promotor que recebe pelo Estado para trabalhar neste ofício, trabalhe também 40 horas em uma universidade federal. Ou seja, o Estado remunera duas vezes esse profissional. Este modelo impede postos de trabalho de bacharéis, mestrandos e doutorandos que podem querer seguir a carreira acadêmica. Se 1% dos 100 mil formados por ano quiser entrar nessa realidade do ensino e da pesquisa conectados com a prática jurídica, não vão encontrar trabalho", comentou.

Para o diretor da ABEDi, Alexandre Veroneni, esta falta de comprometimento dos professores com as instituições de ensino e a desassistência aos alunos reflete também nos baixos índices de aprovação no Exame de Ordem (OAB), cuja aprovação é um desafio para os estudantes de Direito. Além do problema da docência, ele apontou a falta de pluralidade dos instrumentos de avaliação dos cursos e do conhecimento dos estudantes. "Precisamos relacionar uma maior busca pela titulação por parte dos professores com o crescimento da qualidade e dar fim ao papel do professor horista, que se restringe à sala de aula. Outro fator são os rankings. Hoje só temos o Exame de Ordem e o Enade, que não dão conta de detectar as diversidades que compõem o curso de Direito. Isto faz com que as universidades sigam todas um mesmo padrão para aprovar unicamente nestes exames, ignorando que se a universidade não obteve um bom resultado nestes indicadores, não quer dizer que ela não seja boa ou que não tenha qualidade. A profissão jurídica não é só a OAB, há outras áreas", afirmou.

Na última edição, a Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) aprovou apenas 25% do total de participantes. E os índices mostram que a situação é ainda pior no ensino particular. Em um levantamento feito recentemente sobre as universidades que mais se destacaram no exame, em âmbito nacional, todas as 20 melhores eram públicas. No Rio, apesar do resultado de aprovação seguir a mesma linha, a Fundação Getúlio Vargas (FGV) foi a única particular a conquistar um lugar no ranking das 20 melhores. Ela não só ficou entra as primeiras instituições, com 74,36% de aprovados, como liderou a lista, ficando à frente de instituições tradicionais como a Uerj, UniRio, UFRJ e UFF.


Dificuldades para suprir carências da educação básica

Outro aspecto que tem colaborado para a precariedade do ensino de Direito no Brasil é a falta de bagagem com a qual os estudantes deixam o ensino básico. Como as condições oferecidas nas escolas de ensino fundamental e médio são restritas, principalmente no ensino público no qual há falta de professores e de infraestrutura, os jovens entram na universidade com uma forte carência nas ciências de base. As universidades se veem, então, desafiadas a suprir a ausência destes conteúdos, o que muitas vezes não é possível, já que as mesmas possuem um currículo a ser cumprido em função de exames como o Enade e o Exame de Ordem.

De acordo com Frederico de Almeida, professor da FGV, as universidades ainda têm feito muito pouco para nivelar os alunos. "A formação básica que o aluno traz quando entra na universidade é muito importante. Mesmo que o curso de Direito não use a Matemática aplicada, por exemplo, o raciocínio lógico que ela fornece é essencial. Uma coisa que pode ser feita pelas instituições e que devem fazer, inclusive, porque é avaliada pelo MEC, é de investir  em estratégias de nivelamento, ou seja, o quanto a instituição faz para suprir a carência que o aluno trouxe", enfatizou.


Carreira jurídica em segundo plano

Para Solange de Moura, diretora nacional do Centro de Ciências Jurídicas da Estácio de Sá, é necessário ainda trabalhar a questão da vocação jurídica entre os alunos. Segundo ela, grande parte dos estudantes que procuram pelos cursos de Direito o fazem com a intenção de prestar provas em concursos públicos. Ao longo do curso, alguns acabam tendo contato com outras opções, mas a grande massa desconhece as alternativas de trabalho, o que os fazem assumir cargos muitas vezes incompatíveis com seu perfil profissional.

"Temos ainda um grande desafio em relação ao trabalho. A maioria não tem o objetivo de se tornar um profissional do Direito. O interesse maior é somente pelos cargos públicos e em qualquer função. Não há um estudo prévio das carreiras possíveis e nem mesmo os concursos analisam se aquele aprovado é apto para executar determinada função.

Este grupo quer apenas integrar a elite dos quadros públicos. Mas acontece que não há cargo público para todos. Por isso, é tão importante despertar nestes jovens o gosto pela vocação, para que os bacharéis possam assumir seus postos no mercado de trabalho por amor e não em função de um cargo público", destacou.

Ela também salientou que a melhor saída para a decadência da qualidade do ensino jurídico seria investir mais no setor de pesquisa, mostrando aos jovens que este também pode ser um mercado atrativo. "Faltam docentes titulados e capacitados. Exemplo disso é que existem regiões no país que não têm se quer um curso de doutorado ou mestrado. Precisamos acelerar a formação de docentes, para que possam se dedicar exclusivamente à docência, para que, desta maneira, possamos formar melhor".


Estudantes apontam caminhos para melhorar a formação

A identificação dos estudantes com a universidade é um dos pontos cruciais para o processo de aprendizagem. No ensino de Direito ele é ainda mais significativo, pois o curso, assim como outros que têm raízes na área de Humanas, é fundamentado no debate.

Para a aluna de Direito do 9º período Marília Monteiro, a interdisciplinaridade foi o que em sua análise mais importou até o momento em que está na sua formação. Desde o primeiro semestre, a jovem faz matérias de outras grades, o que fez com que ela desenvolvesse uma visão ampla sobre variados temas. "É importante ter uma visão global da profissão, pois isso nos dá outras perspectivas sobre temas que vão além do Direito. Muitas vezes os cursos de Direito erram ao não incentivar a  comunicação com outras Ciências Humanas", explicou.

Já a estudante Giovanna Carloni, do 6º período, considera que o diálogo nas aulas é o fator decisivo para uma boa formação. Ela acredita que isso facilita o desenvolvimento da argumentação. "Não adianta formar um advogado que não sabe refletir sobre os diferentes pontos da profissão, independente da área em que ele vai atuar. É desta maneira que perdemos o medo de nos direcionar a outras pessoas, inclusive autoridades", ressaltou.

Há também quem ache que a prática é uma das fases mais importantes do curso. Walter Britto, aluno do 4º período, concilia as aulas com o estágio no Centro de Tecnologia e Sociedade da instituição em que estuda e já consegue enxergar os frutos dessa experiência. "Isso me faz ter contato com tudo o que acontece no mundo e que ao mesmo tempo tem relação com o Direito. São questões que possuem ligação direta com a profissão que um dia vou exercer. Por meio desse espaço pude ver como a tecnologia aplicada ao ensino facilita o aprendizado e ajuda a criar uma comunidade acadêmica interativa", destacou.

6 de agosto de 2012

Por que não se investe em Educação no Brasil?


Este vídeo é parte de uma apresentação preparada pela segunda turma de pós-graduação em Gestão Pública para Resultados da Universidade Estadual de Minas Gerais - UEMG.

2 de agosto de 2012

Thomaz Bastos: ministros debaterem foro privilegiado foi um avanço

Fonte: Terra.com.br

O advogado Márcio Thomaz Bastos, autor do pedido de ordem para desmembrar o mensalão, considerou um avanço a discussão dos ministros, apesar da derrota por nove votos a dois. Thomaz Bastos, que já foi ministro da Justiça, afirmou que a discussão pode ser um ponto de partida para a Corte mudar, no futuro, a decisão sobre a prerrogativa de foro.
 "O debate foi muito teórico, foi muito doutrinário. Discutiram-se questões relativas à importância da Constituição como órgão de cobertura do sistema legislativo. Foi um avanço, um debate que construiu (...). Foi um ponto de partida para que a Corte mude sua posição no futuro", afirmou.

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31 de julho de 2012

Dieta do Sexo: apologia ao estupro?


O Prof. Salo de Carvalho publicou em seu blog, sob o título “De Estupros e Apologias nas Campanhas Publicitárias”, uma publicidade que, na minha opinião, é no mínimo de qualidade duvidosa (cheguei a cursar Publicidade e Propaganda na UFSM) da marca de preservativos Prudence. Veja a imagem e leia o texto do professor:


Campanha da Prudence: "tirando a roupa sem o consentimento dela: 190 Cal. Abrindo o sutiã, com uma mão, apanhando dela: 208 Cal."
Por muito menos o Ministério Público, em inúmeros Estados da Federação, denunciou os organizadores da Marcha da Maconha por apologia de crime (art. 287 do Código Penal). E isto que o consumo de drogas é uma infração de menor potencial ofensivo. O estupro, diferentemente, é um crime hediondo.
Mas como as agências punitivas são seletivas, estou imaginando as manifestações dos engravatados assessores de imprensa: "trata-se apenas de um anúncio publicitário bem humorado." 

Fonte: AntiBlog de Criminologia, publicado pelo Prof. Salo de Carvalho.

24 de julho de 2012

Estudante de Caxias do Sul lidera movimento para refundar partido do regime militar


Estudante de Caxias do Sul lidera movimento para resgatar um dos símbolos da ditadura, o ARENA (Aliança Renovadora Nacional), partido que dava base de sustentação política ao regime de 1964.

Leia mais aqui e aqui.

Ressuscitar a ARENA através do argumento democrático é, no mínimo, tragicômico. Talvez falte maior conhecimento político e histórico para a jovem caxiense, incapaz de compreender que não se resolverá o cenário político brasileiro reciclando ideologias opressivas e contrárias a liberdade. Fico com o Polenta News, blog da cidade de Caxias do Sul, que publicou foto da lider do “movimento” arenista segurando a bandeira da UNE ao lado de político do PCdoB: a política pode ser irônica.

23 de julho de 2012

Para Min. Eliana Calmon, STF será avaliado em julgamento do mensalão

A corregedora nacional do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), ministra Eliana Calmon, afirmou nesta segunda-feira que o julgamento dos réus do mensalão pelo Supremo Tribunal Federal (STF) será também uma oportunidade para que a Corte seja avaliada pela sociedade.
"A realidade que está retratada nos autos vai ser mostrada quando houver o julgamento. E é neste momento que o Supremo passa a ser julgado pela opinião pública", declarou antes de fazer uma palestra no Tribunal Regional Eleitoral de São Paulo (TRE-SP).
Segundo Eliana Calmon, o julgamento, com início previsto para 2 de agosto, vem criando uma expectativa muito grande na opinião pública. "Não é que ele, STF, vai se pautar pela opinião pública, mas todo e qualquer poder, no regime democrático, também se nutre da confiabilidade daqueles a quem ele serve", ressaltou.
Para a corregedora, o País vem passando por mudanças importantes, e a participação popular tem papel fundamental para que isso ocorra. "O que foi a Lei da Ficha Limpa, se não uma reação da população contra este movimento de pessoa sem qualificação para exercerem os cargos públicos?", indagou. "Foi o primeiro passo da indignação popular", completou Eliana. 

Continue lendo aqui (Terra.com.br).

10 de julho de 2012

O curso de Direito no Brasil: panorama geral


De acordo com o censo realizado pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (INEP), em 2009 existiam 5.115.896 alunos matriculados no ensino superior brasileiro, entre os quais 651.730 apenas em cursos de Direito. Significa que de cada 100 bancos escolares, 13 estavam ocupados por estudantes da área jurídica. E entre os 826.928 alunos formados em 2009, 87.523 eram de Direito – o que representa bem mais do que a soma de psicólogos (17.280), jornalistas (13.139), médicos (11.881), dentistas (8.510), economistas (6.922) e químicos (3.434). Contabilizando-se, são 85.895 novos matriculados entre os dois semestres.
Para a professora Cláudia Coelho Hardagh, doutora em Educação pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC/SP), “é como se o Direito fosse uma realidade à parte do sistema de ensino superior brasileiro. Enquanto o número total de escolas cresceu 7% nos últimos cinco anos, de 2.165 em 2005, para 2.314 em 2009, a quantidade de cursos de Direito passou de 861 para 1.096 – um aumento de 27%, proporcionalmente quatro vezes mais do que o sistema educacional brasileiro.”
Não custa lembrar que em 2001, apenas onze anos atrás, o censo do MEC registrava 426 escolas de Direito instaladas no país. Os números assustam e devem servir como um alerta para que as autoridades tomem medidas enérgicas. O Exame da Ordem, embora não seja um instrumento excelente para avaliar os conhecimentos básicos dos egressos dos cursos de Direito, ainda cumpre papel necessário no país e deve continuar sendo aplicado – embora existam projetos de lei no Congresso visando acabar com a prova.
Todavia, a principal medida a ser tomada é pelo próprio MEC, diminuíndo vagas nas faculdades mal avaliadas e impedindo a abertura de novos cursos. Claro, parte do “boom” do crescimento dos cursos de Direito no Brasil pode ser explicado pela procura pelos concursos públicos, sonho da classe média de estabilidade financeira. Entretanto, tudo não passa de uma ilusória publicidade. Afinal, só passa em concursos públicos (na grande maioria) quem cursou boas faculdades ou tem dinheiro e tempo para pagar pelos caríssimos cursos preparatórios. A educação superior jurídica precisa ser repensada urgentemente.

“O Brasil não percebeu que estamos no Séc. XXI”, critica Senador


Ontem, em pronunciamento no Plenário do Senado Federal, o Sen. Cristovam Buarque (PDT/DF) criticou a falta de providências para resolver a greve dos professores universitários. Abaixo segue o vídeo:


Por fim, deixo uma dica preciosíssima para uma melhor compreensão do papel das universidades brasileiras no século XXI. Trata-se do livro A Aventura na Universidade, do próprio Sen. Cristovam Buarque, pela editora Paz e Terra. O livro é fruto da experiência de Buarque enquanto reitor da Universidade de Brasília (UnB) e traz críticas e propostas concretas para uma reforma universitária.

9 de julho de 2012

O que quebrará o País?


  Por Vladimir Safatle

O ministro da Fazenda, Guido Mantega, afirmou nos últimos dias que a elevação dos gastos com a educação ao patamar de 10% do Orçamento nacional poderia quebrar o País. Sua colocação vem em má hora. Ele deveria dizer, ao contrário, que a perpetuação dos gastos em educação no nível atual quebrará a Nação.
Neste exato momento, o Brasil assiste a praticamente todas as universidades federais em greve. Uma greve que não pede apenas melhores salários para o quadro de professores e funcionários, mas investimentos mais rápidos em infraestrutura. Com a expansão do ensino universitário federal, as demandas de recurso serão cada vez mais crescentes e necessárias. Isto se quisermos ficar apenas no âmbito das universidades públicas.